Zine Cultural - 11 Anos

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JF FIGHT
PROMOÇÕES

26 Set 2014

A arte não está à venda

Publicado em Cultura as 16h30





Com o objetivo de discutir a relação dos meios de comunicação com o consumismo exagerado, o Grupo Êxtase de Dança, veio de Viçosa para Juiz de Fora, com sua nova turnê "For Sale". Com coreografia de Fernando Martins e produção local da empresa Pomar Cultural, com curadoria de Débora Coghio, o espetáculo conta com apresentações gratuitas em locais abertos da cidade. Entre eles, o Parque Halfeld e o Museu Mariano Procópio neste sábado (27) e a Praça Cívica da UFJF no domingo (28).
Batemos um papo com a diretora, Patrícia Lima, sobre a nova produção do grupo, que, com quase 30 anos, já conquistou grandes prêmios no cenário mineiro e percorreu mais de 40 cidades da Zona da Mata com suas turnês.
Como surgiu a ideia do espetáculo atual?
O espetáculo For Sale surgiu a partir de um bate papo entre eu e o e o coreógrafo Fernando Martins, que já vinha pesquisando temas relacionados ao consumo e neste momento, o Grupo Êxtase estava numa fase de buscar patrocínio para sua manutenção e para isso precisava “vender” sua arte. Com isso se encaixaram as ideias do coreógrafo com os objetivos do grupo de explorar mais este tema. Durante a pesquisa para construção de For Sale, estudamos  diversos conteúdos que estão ligados principalmente à utilização de recursos midiáticos na manipulação do consumo na sociedade contemporânea, que serviram como base e início da montagem do trabalho. 
 
No cenário ártistico, as músicas comerciais estão sempre em evidência e muito material de qualidade é deixado de lado. Vocês acreditam que a arte ainda pode recuperar esse espaço perdido, principalmente na mídia? 
Eu acredito que são espaços ocupados de formas diferentes. Existem os artistas do entretenimento e artistas que promovem e trabalham com cultura e arte para as pessoas de modo geral. Dessa forma, o verdadeiro artista não se preocupa em estar em evidência  na mídia e sim produzir e levar sua arte como forma de trazer o público para um lugar novo para um maior auto-conhecimento, educação e agregação de valores à população. Embora acredite que há espaços para ambos reforço a grande dificuldade do artista que trabalha com cultura de sobreviver sem a midia e que o faz pela paixão que tem pela sua arte.
Como foi a preparação para esse espetáculo? 
Foi uma preparação intensa, que envolveu vários laboratórios, principalmente por ser um trabalho criado especialmente para ser apresentado nas ruas. Isso exigiu muito  dos bailarinos da equipe técnica e que se dedicaram ao máximo para fazer um bom trabalho, tendo em vista a grande dificuldade de levar um espetáculo de dança contemporânea para espaços abertos e ambientes públicos. Um grande diferencial na criação foi a metodologia do coreógrafo que para preparação e montagem desenvolveu com os bailarinos, o Braing Diving, criada  por ele e que se propõe a ser uma ferramenta que permite uma conexão plena entre consciência e realidade durante o movimento oferecendo aos bailarinos a possibilidade de reconhecer e organizar, durante o seu percurso criativo, os pensamentos, emoções e sentimentos. Toda essa preparação pode ser principalmente sentida e vista no resultado que é For Sale.
A crítica por meio da dança é algo ainda pouco encontrado nos palcos de Juiz de Fora. Vocês já estão com planos para outro espetáculo do gênero? 
Juiz de Fora sempre esteve presente nos projetos do Grupo Êxtase. A cidade representa uma importante vitrine para o nosso trabalho devido a sua importância na Zona da Mata e possui muitos trabalhos artísticos de destaque, o que nos motiva ainda mais a trazer  espetáculos para a cidade. Sempre que possível Juiz de Fora estará em nossas tournés.

Publicado por: Vinícius Barreto e Talita Scoralick


 
 



09 Set 2014

Sananab

Publicado em Cultura as 14h31





Por Joice Rodrigues de Lima*
É no encontro com o público que o palhaço se revela, naquele momento em que estar junto proporciona o crescimento e agrega experiências aos envolvidos. Segundo Luís Otávio Burnier (2001), “o clown é a exposição do ridículo e das fraquezas de cada um. (...). Não se trata de um personagem, ou seja, uma entidade externa a nós, mas da ampliação e dilatação dos aspectos ingênuos, puros e humanos, portanto ‘estúpidos’, do nosso próprio ser”. E, por isso, tem a capacidade de gerar tanta proximidade, permitindo-nos ser afetados pelo limiar do ridículo a que ele se expõe.
Nesse caminho de trabalho, Neto Donegá nos concede generosamente o palhaço Bisgoio, no espetáculo “Sananab”, nos últimos momentos do 8º Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora. Com uma estrutura pré-definida, mas rica em improviso, constrói situações através da manipulação de alguns objetos, lidando sensivelmente com a resposta do espectador. 
O palhaço aqui aceita e enfrenta o risco do encontro. Ele desenvolve seu discurso a partir (e em comunhão) das reações ingênuas e humanas - próprias do palhaço - que exigem coragem e empenho para serem atravessadas. 
O público prazerosamente embarca em sua viagem, construindo uma relação sensível com o acontecimento e com seu estado despretensioso, inteiro e vivo, em total escuta, revelando-se com calma e consistência, à medida que nos presenteia com a experiência de um espetáculo delicado, ingênuo e maduro no que se refere ao mergulho nesta peculiar máscara. 
Fotos por Rodrigo Souza
Não poderia ter sido de melhor maneira para encerrar a participação dos espetáculos inscritos no festival. Foi pouco mais de uma semana de espaços de confluência, comprometidos em proporcionar a reflexão. Através do embate de opiniões, foi possível verticalizarmos nosso pensamento, aprofundando nossos olhares sobre os caminhos do fazer teatral. Dias de mergulho em percepções variadas sobre o teatro realizado hoje por veteranos e novos grupos, que, acima de tudo, assumem o risco do fazer. Reverberações que afetam e modificam nossos próximos passos. Gratidão!
 
O espetáculo aconteceu no dia 7 de setembro | 19h | Pró-Música.
*Joice Rodrigues de Lima é mestre em Artes Cênicas pela Unicamp, atriz, professora e produtora teatral.


 
 



09 Set 2014

Dom Chicote

Publicado em Cultura as 14h15





Por Anna Esteves (RJ)*
A Cia A DitaCuja propõe “a criação de um outro tempo, um outro lugar” ao encontrar-se com o movimento Steampunk e escolhe a rua como tomada de posição política para “colocar seu pensamento e suas escolhas para o mundo”. Da dualidade entre público e privado e antigo e moderno nasce a proposta desta montagem. 
Assim seus integrantes a definem no programa da peça e levantam a espada de Dom Chicote Mula Manca e seu fiel escudeiro Zé Chupança, dramaturgia de Oscar Von Pfhul, num domingo ensolarado na UFJF, justo no dia 7 de setembro.
O trabalho de pesquisa envolveu todo um coletivo de profissionais, com destaque para preparação musical de Marcio Bá, preparação circense de Ronando de Jesus, preparação de máscara e técnicas de rua de André Cruz, que além de atuar na peça, participa da confecção do figurino e assina a direção. 
A Cia de Ribeirão Preto conta a história do recém-nomeado cavaleiro Dom Chicote Mula Manca, que por ordem do rei parte em busca das ovelhas roubadas de seu amigo Zé Chupança, em uma jornada repleta de perigos imaginários e conspirações reais.
A execução do trabalho fica comprometida por problemas de conteúdo e forma. Há um erro grave na escolha da companhia ao representar as figuras do rei e seu assessor com o clichê do homossexual. Se a peça propõe a discussão política dos impactos das relações (desiguais) de poder na avaliação crítica de cada espectador, cidadão comum, por que concentrar nas figuras mais abomináveis da peça a piada certa, preconceituosa e pequena? 
O escopo de um teatro que propõe a crítica social como função da sua existência opera numa outra via: a refuncionalização dos clichês. O efeito formal é muito interessante, pois, ao mostrar objetivamente a diferença entre rir DE alguém e rir COM alguém, faz o espectador refletir criticamente sobre a cena e a vida. 
Fotos por David Azevedo
Não é o que acontece em Dom Chicote Mula Manca e seu fiel escudeiro Zé Chupança. Há todo um discurso ideológico que não se concretiza nas escolhas cênicas e impede a potencialidade do conteúdo precioso que a companhia tem nas mãos. 
 
O espetáculo foi apresentado no dia 7 de setembro | 11h | UFJF.
*Anna Esteves (RJ) é doutora em Artes Cênicas pela UNIRIO e em Artes, Línguas e Espetáculo por Nanterre (Paris X).
 


 
 



08 Set 2014

Quem roubou meu sapatinho?

Publicado em Cultura as 13h15





Por Miguel Anunciação (BH)*
Enorme expectativa cercava a sessão de “Quem roubou meu sapatinho?”, no Pró-Música. Como se a montagem do Grupo Teatral InSônia, de Ribeirão Preto (SP), viesse ser uma das melhores escalações da 8ª edição do Festival Nacional de Teatro. Pena, esta expectativa não se cumpre e o espetáculo um tanto desaponta - embora seus jovens integrantes não sejam responsáveis pelo que se diz de grandioso do seu mais recente trabalho.
Não é um espetáculo ruim. Absolutamente. Ao contrário, é muito bem cuidado, digno no que pretende e oferece. Dirigida por João Paulo Fernandes, sua versão para a tão reencenada e conhecida fábula dos Irmãos Grimm, a “Gata Borralheira” ou “Cinderela”, põe em cena sete atores (Gabriela Vansan, Vilsinho Juri, Renan Eichel, Juliano Borges, Renata Carlomagno, Lê Reis e Douglas Pires) e uma impressionante solução cenográfica, que acolhe os figurinos e as trocas do elenco.
Além de inserir tradicionais brincadeiras de rua da região em que vivem no primeiro espetáculo que produz para crianças, o pessoal do InSônia também dispõe personagens da obra secular em situações reconhecíveis no mundo de hoje. Sem alterar o enredo básico - uma menina rudemente tratada em casa pelas filhas da sua madrasta, salva pelo amor do jovem com quem dançou no baile real –, faz o príncipe se equilibrar sobre skate e a princesa, em patins. E a fada madrinha tem um quê de diva gay.
Formado em 2011, por ex-alunos do curso profissionalizante de teatro do Senac, equivalente ao 2º grau, o InSônia já montou mais três espetáculos: “Valsa nº 6”, de Nelson Rodrigues; uma coletânea de textos de Bertolt Brecht; e “Hamlet”, talvez a obra mais reverenciada de William Shakespeare. Montar um espetáculo para crianças não seria uma estratégia de garantir recursos para uma outra investida nos clássicos, em outra leitura para adultos, como tantos outros grupos se organizam.
Fotos por Rodrigo Souza
Segundo Renata Carlomagno, atriz/dramaturga de “Quem roubou meu sapatinho?”, o grupo reservaria cuidado igual a tudo o que produz. Desta vez, tomou as artes populares e as brincadeiras do interior paulista como matrizes. E o público responde calorosamente à sua encenação. É inegável que ela possui graça, alguns encantos. Mesmo que também recorra a uma estética bastante difundida pela TV e o elenco careça de mais técnicas de atuação.
 
O espetáculo foi apresentado no dia 6 de setembro | 19h | Pró-Música.
*Miguel Anunciação (BH) é jornalista e crítico de espetáculos.


 
 



08 Set 2014

Barrela

Publicado em Cultura as 13h01





Por Joice Rodrigues de Lima*
Chocado com a brutalidade de um caso real de um garoto que foi preso pelo envolvimento em uma briga de bar, na cidade de Santos, litoral paulista, e como consequência foi currado na cadeia, Plínio Marcos iniciou sua carreira de dramaturgo criando “Barrela” - espetáculo que a Cia. Balaco do Bacco, de Ribeirão Preto (SP), apresentou na noite de ontem, no penúltimo dia de atividades do 8º Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora.
Censurada pela ditadura militar sob a acusação de tratar-se de “pornografia”, a peça, na verdade, narra a tensão presente nas relações de poder conflituosas entre pessoas inseridas na peculiar situação carcerária. O texto, direto e forte, mesmo após mais de 50 anos de sua escrita, retrata a fragilidade, injustiça e violência impressas no sistema prisional do país, no que diz respeito a todas as suas variáveis instâncias, tanto na relação entre estado e indivíduo, como entre indivíduos encarcerados que criam suas próprias frestas de sobrevivência. Segundo o próprio autor: “O teatro foi a forma que encontrei para dar um testemunho a respeito do tempo mau que vivemos. Falo de gente que conheci e conheço, gente que está amesquinhada por gente; gente que vai se perdendo.”
Sem tentativas de recriações, a companhia traz uma encenação justa à proposta do texto. A direção propõe cenário e sonoplastia que fazem referência ao interior de uma cela, sem a necessidade de ilustrações, com o mínimo de elementos cenográficos presentes em cena. O espetáculo pauta-se na construção naturalista dos atores que tomam por foco traduzir o fio de tensão presente nos personagens propostos.
Fotos por rodrigo Souza
Com escolhas pontuais na adaptação e cortes no texto, o grupo trata a proposta de trazer o texto à cena com honestidade. A apreensão crescente entre os personagens e o espaço construído transfere para que o espectador faça a opção em concretizar as possibilidades de leituras e associações com a sociedade atual.
 
O espetáculo foi apresentado no dia 6 de setembro | 21h | CCBM.
*Joice Rodrigues de Lima é mestre em Artes Cênicas pela Unicamp, atriz, professora e produtora teatral.


 
 



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Coluna do Dia - 30/09/2014

30 de setembro de 2014
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