21 Ago 2010
Publicado em Zine Entrevista as 09h00
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Três jovens unidos pela paixão ao cinema. Gian Martins (Juiz de Fora), Wesley Conrado (Joinville/SC) e Daiverson Machado (São João Nepomuceno/MG) estão à frente do CineClube Bordel Sem Paredes, um projeto cultural independente, que divulga, exibe e discute o fazer cinematográfico. O nome Bordel Sem Paredes gerou muitas discordâncias, mas acabou emplacando e deu certo. A ideia é um lugar onde se possa mostrar tudo o que está escondido. Abaixo a caretice! Salve, salve liberdade, diversão e prazer!
Como é o processo de produção de uma Mostra, desde sua idealização até o momento de sua execução?
Da forma como estamos fazendo é muito simples, porém trabalhoso. Escolhemos um tema que achamos que é de interesse popular mas que não seja TÃO popular, e dentro deste tema pegamos os filmes menos conhecidos e mais expressivos. Foi assim com o Almodóvar, que é um diretor relativamente conhecido hoje em dia. Já temos o espaço da Funalfa (levou um tempo para conseguirmos, precisamos fazer reuniões, foram muitos telefonemas e troca de emails), o mais difícil é divulgar. Temos o blog bordelsemparedes.blogspot.com e o twitter @cineclubebordel, mas isso não basta. É preciso ir aos lugares pessoalmente, conversar com as pessoas, isso toma tempo e é cansativo, mas o projeto está crescendo, pessoas interessantes e interessadas estão entrando para nos ajudar.

Cartaz de divulgação do Corredor Cultural, promovido em maio deste ano
Qual a motivação de se produzir eventos como este, sem fins lucrativos, que visam apenas agregar conhecimento?
Quando eu cheguei aqui em Juiz de Fora e vi que não havia nenhum movimento cineclubista expressivo pensei logo em iniciar algo do gênero. O Daiverson começou a fazer o curso "Pensar e Agir com a Cultura" e isso foi um grande estimulador para fazermos algo para a cultura local sem ficar esperando por edital. Eu estava quase pensando em dar um tempo nas mostras, mas então entrou um cara novo, o Gian Martins, ele tem alguns contatos aqui na cidade, está agregando muito ao projeto.

Por que Almodóvar? O quê que o Almodóvar tem?
O Almodóvar foi indicação do Daiverson, pois a idéia era escolher alguém que fosse mais ou menos conhecido. Não poderíamos escolher um diretor ou tema obscuro para a população pois não ganharíamos público de início, com o tempo faremos mostras mais arriscadas. E os filmes do Almodóvar são modernos, coloridos, divertidos e sempre tocam em temas tabus da sociedade como drogas, sexo, homossexualismo, religião, independência feminina e a crise do masculino. Adoro!

O que é necessário para se fazer um bom filme?
Um bom roteiro e uma equipe inspirada, e claro, muita sorte e bons contatos para conseguir com que o filme seja exibido. Talvez essa seja a parte mais complicada hoje em dia, a divulgação e a distribuição dos filmes, pois precisa de investimentos altíssimos, muita coisa boa de verdade fica restrita a uma pequeníssima cadeia de exibição.

Quais seus clássicos preferidos e quais filmes atuais você indica?
Ah, os meus clássicos favoritos são "Crepúsculo dos deuses" "Amor sublime amor" "Cantando na Chuva" e sempre indico "Rocky Horror Picture Show" que é um antídoto contra a caretice das pessoas comuns, não é um clássico no sentido clássico da coisa, mas é um dos meus filmes favoritos. De produção atual, esse ano vi uma animação australiana que me tocou bastante, se chama "Mary e Max" e fala sobre amizade, logo deve estar chegando nas locadoras, também indico "O Anticristo" do Lars Von Trier, que faz uma análise profunda da psique humana, um dos filmes mais assustadores que já ví na vida, a hora em que a raposa fala eu quase enfartei.
Publicado por: Maruscka Grassano
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