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A Ilíada - Zine Cultural

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A Ilíada

Por:

por Joice Rodrigues de Lima *
Em sequência ao Festival, o público apreciou com o Grupo Teatral Creche na Coxia, de Cabo Frio/RJ, uma versão de “A Ilíada”, clássico texto da literatura universal que narra a “Guerra de Tróia”. Com versões conflitantes a respeito da autoria - atribuída a Homero, a saga traduz a história e o surgimento do povo grego, exaltando o modelo ideal do herói e do belo a ser seguido.
Durante o espetáculo, o mito nos é narrado e comentado pelo coro, com textos em uníssono e músicas, em grandiosa estrutura de cenário que possibilita a utilização de diferentes planos. O público, de uma forma geral, reagiu positivamente à encenação, concretizada por atores relativamente jovens que pareceram carregar consigo uma história de vida no teatro submetida a uma formação anterior do grupo.
Contudo, mais que a história do grupo, estes atores imprimem uma ideia do fazer teatral que lhes é provida pela atual diretora do grupo. No discurso sobre o processo de criação são citados diferentes conceitos (como teatro físico*), porém, percebe-se que o entendimento estético dá-se de forma confusa e equivocada. A própria linguagem da máscara, utilizada em cena, torna-se mais um elemento dentre os anseios dos atores, sem, de fato, colaborar ou afetar a encenação, tampouco a qualidade de atuação.
Embora demonstrem garra e paixão, a dimensão do tema, assim como os elementos escolhidos na encenação, é tratada de maneira superficial. O que fica é um grupo de artistas que, na ânsia pelo fazer teatral a partir de uma grande ideia, trazem à cena propostas de uma diretora, sem que tenham maturidade e conhecimento suficiente para empoderar-se do próprio ofício.
Como forma de aproximar de suas realidades o texto extremamente complexo, em muitos momentos caem em uma comédia rasa que agrada sim o público, porém, muito mais pela identificação com os meios comerciais de entretenimento, do que pelo viés arrebatador onde a arte pode acontecer.
O valor do grupo está na resistência em dar sequência ao caminho iniciado há mais de 30 anos; está em acreditar e escolher uma forma, muitas vezes dolorida, de vida. Mas não se contentem com isso. Desejem além.
* Para o conceito de “teatro físico” recorrer ao livro "O teatro do corpo manifesto", de Lucia Romano, Ed. Perspectiva: São Paulo-SP.
O espetáculo foi apresentado no dia 3 de setembro, às 21h, no Pró-Música.
* Joice Rodrigues de Lima é mestre em Artes Cênicas pela Unicamp, atriz, professora e produtora teatral
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