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Casa dos Espelhos - Zine Cultural

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Casa dos Espelhos

Por:

Por Miguel Anunciação (BH)*
São locais as duas mais instigantes propostas já vistas no 8º Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora: o vigor e a intensidade de “Estação dos Passageiros Invisíveis” ao abordar um episódio real (os conflitos de três usuários de drogas, moradores de uma estação desativada), que além da influência declarada do teatro contundente de Plínio Marcos, remete involuntariamente às obras do francês Jean Genet. Uma mescla de violência e homoerótica parelho a Querelle, que Rainer Werner Fassbinder dirigiu no cinema.
Casa dos Espelhos também dispõe de força, pertinência, capacidade de sustentar e envolver um público atento. Extensão de cena curta exibida no 5º Festival de Cenas Curtas local, o espetáculo foi escrito por Hussan Fadel, sobre várias fontes externas, que incluem um livro de Frei Betto; dirigido pelo Corpo Coletivo; e interpretado por Vinícius Cristóvão, ator radicado no Rio de Janeiro durante alguns anos. 
Assumidamente in progress, este estágio do trabalho dura 40 minutos. Como é apresentado em espaço alternativo, muito próximo de um número limitado de espectadores, permite ao ator se dirigir a alguns deles, em especial, em vários instantes da encenação. Até aqui, é uma notável experiência sensória, para a qual contribuem, sem dúvida, a luz, a ambientação cenográfica, o espaço estabelecido para cena e público, o volume e as intenções do texto, as escolhas de direção, o desempenho de Vinícius. 
Talvez a trilha sonora, do 4zero4, constante, ambiciosa nas sugestões de climas, pareça excessiva, levante suspeitas que a direção desconfie da capacidade de os demais elementos imprimirem o que se pretende. O texto reitera o quanto o mundo atual enfatiza e valora aspectos superficiais do corpo e da existência, os sofrimentos, transtornos e isolamentos que nos impõem a busca pela adequação aos valores alheios. A construção solene das frases, a complexidade do pensamento e as próprias ações do ator nem sempre colaboram para deixar claro o que o texto deseja dizer.
Fotos por: Rodrigo Souza
Mesmo assim, “Casa dos Espelhos” é uma proposta estimulante. Talvez fosse mais recomendável ainda se equalizasse os entraves de comunicação do texto, se destinasse um novo papel à banda (que toca ao vivo) mais integrada à cena, e não como agora, mantida em sigilo, sob cortinas, até o fim da encenação.
O espetáculo foi apresentado no dia 3 de setembro, às 19h, no Espaço Manufato.
* Miguel Anunciação (BH) é jornalista e crítico de espetáculos.
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