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Respeita as manas: 11 juiz-foranas mandam um recado empoderador sobre o Dia da Mulher! - Zine Cultural

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Respeita as manas: 11 juiz-foranas mandam um recado empoderador sobre o Dia da Mulher!

Por: Karina Gomes, Rívia Peterman e Tainá Voltas

Pensar em um único dia para homenagear aquelas que, desde sempre, deveriam ser consideradas iguais e ter as mesmas oportunidades, é um pouco incoerente. Entretanto, é por meio de datas simbólicas e da atenção voltada a algumas problemáticas por causa desses dias, que ideias -antes consideradas comuns e normais-, passam a ser refletidas, combatidas e transformadas. No Dia Internacional da Mulher, o Zine quis conversar com elas, todas elas, as mulheres juiz-foranas, para saber qual a mensagem gostariam de passar nessa data emblemática. Confira abaixo depoimentos emocionantes de várias meninas-mulheres da nossa cidade! 

 

Alessandra Crispin – Cantora conhecida na cidade atua na área há bastante tempo! Hoje em dia divide-se entre o comando do projeto solo “Samba Fino” e a voz imponente do Carnaval do Bloco Come Quieto!

Ser uma representante negra, da periferia, na área artística, é uma grande responsabilidade! Mas, uma responsabilidade boa. Aprendi com a minha mãe e com as mulheres da minha família, a lutar pelos nossos direitos e ideais.  Nenhuma delas teve a oportunidade de uma formação acadêmica, tampouco profissional... Entretanto, as histórias de superação serviram de estímulos para a mim, para os meus irmãos e primos... Hoje, saber que sou referência de luta para muitas pessoas, só me faz ter certeza que estou no caminho certo.  E o melhor: não estou sozinha. Estamos todas juntas e juntos. A luta é diária... hoje é a nossa oportunidade de fortalecer essa caminhada! Vamos juntas!

 

Camila Paiva – Atleta da equipe CRIA UFJF, pratica atletismo desde criança e busca seu espaço no esporte de alto rendimento! Já participou e viajou para diversas competições e atualmente, também é estudante de Ed. Física.

A atuação da mulher no esporte ainda é pequena. Gostaria de vê-las ocupando muito mais espaço, uma vez que em comparação aos homens, elas praticam pouco o esporte em geral. Moças sintam-se capazes de ocupar, de fato, esse espaço, mostrar a todos que podemos fazer qualquer esporte e qualquer coisa!

 

Chris Assis - Também conhecida como tia, grafiteira, pedagoga, mestranda em movimentos sociais e Educação, é criadora dos projetos Educarte hip-hop e Educação e hiphopologia.

Em todas nós mora o poder. Não deixe que ninguém diminua ou menospreze seu trabalho, não é fácil ser mulher nessa sociedade machista, onde todas as nossas conquistas são associadas a homens. Erga a cabeça, lute, tenha fé e força e, principalmente, se ame. Lute, corra e sonhe como uma garota e seja luz e inspiração para outras mulheres. Que a força esteja com vocês!

 

Lorena Rodrigues - Estudante de Artes e Design e Jornalismo, também atua no mundo dos Concursos de Beleza. É Miss Minas Gerais 2017 e Miss Juiz de Fora 2016!

Deita esse número 8 da data de hoje e faz dele o INFINITO!
O dia é histórico sim. Representa lutas e conquistas, comprovando a força da mulher. Mas eu também gostaria de lembrar um aspecto importante: o da SUA valorização. A sua mesmo, de você que está lendo. Proponho que faça o exercício de tirar alguns minutos para refletir sobre o quão valiosa é a sua existência no mundo (no seu próprio, inclusive). Faça de hoje uma "desculpa" para se parabenizar! Está permitido se AMAR ainda mais também. Feliz seja o nosso dia, mulherada!

 

Márcia Falabella - Atriz, com 30 anos de teatro, já participou de inúmeras peças! Fez e faz parte de um dos maiores grupos teatrais da cidade, o Grupo Divulgação. Também é Professora Universitária e Escritora!

Nem sempre a mulher teve espaço no teatro. Homens interpretavam papéis femininos. Ainda há uma supremacia masculina, por exemplo, na dramaturgia e na direção teatral. Tenho orgulho de ter construído um caminho como artista. Resultado de muito trabalho, paixão, persistência e esperança. O que desejo para as mulheres hoje, é que encontrem seu espaço de felicidade, onde quer que ele esteja. Acreditem!
 

Marianna Leão - Aos 24 anos é uma jovem autora. Apaixonada pela arte de exercer a criatividade por meio da escrita e por fugir da realidade também por ela! Publico o livro “O Clube da Meia-Noite” e é formada em Comunicação Social pela UFJF!

É seguro dizer que o talento de grandes escritoras abre o caminho para as demais. Ainda enfrentamos algumas resistências em relação à participação da mulher em gêneros textuais considerados “masculinos” (fantasia, suspense, ficção científica), mas não podemos deixar que esse tipo de preconceito nos pare. J.K. Rowling, por exemplo, assina os livros com as iniciais porque no início da carreira disseram que fantasia escrita por mulheres não venderia (e olha quem ela é e tudo o que ela conquistou!). Cabe a nós, leitoras e escritoras, apreciar e dar continuidade ao trabalho de mulheres como Jane Austen, J.K.Rowling e Clarice Lispector, para que chegue o dia em que não tenhamos mais que nos preocupar com as críticas que receberemos pelo simples fato de sermos mulheres.



Myrian Fortuna – Hoje em dia é a única mulher a atuar no comando de um time de futebol. É a atual Presidente do Tupi Foot Ball Club, principal time de Juiz de Fora.

Gostaria de homenagear aquelas que todos os dias vencem desafios para conquistar espaço num universo ainda extremamente conservador. Guerreiras, mães, avós, filhas, netas, mulheres capazes de mudar o mundo. Ainda temos muito a caminhar, mas vamos vencer com garra e confiança. Quem poderia imaginar uma mulher como presidente de um clube de futebol? Juiz de Fora dá mais esse exemplo ao país. Vamos em frente!

 

Silvania SottaniNa área acadêmica há mais de dez anos, é Doutora em Comunicação e Cultura , Professora e Coordenadora de Regulação no Centro Universitário Estácio Juiz de Fora

Que dia contraditório esse tal do 08 de março. Soa estranho (pra dizer o mínimo) que exista UM dia pra comemorar a mulher. Ao mesmo tempo, não podemos negar a importância de um dia em que mobilizamos a sociedade para que volte sua atenção para a nossa causa. Não podemos pensar a situação da mulher desvinculada da sua relação com os baixos salários, a violência, a insegurança alimentar, o acesso desigual à saúde. Assim, a bandeira do feminismo se situa no interior da luta pelos Direitos Conquistados. No momento que estamos vivendo no Brasil, fortalecer a bandeira das mulheres é, sem dúvida, fortalecer a bandeira de toda a sociedade crescentemente alijada da seguridade social que o Estado deveria promover. A luta feminista, nesse sentido, também é uma luta contra o desmantelamento do Estado do Bem Estar Social. As mulheres, cada vez mais organizadas e ativas, são uma das principais pontas de lança contra o avanço neoliberal. Cabe ao feminismo, nesses termos, não ignorar seu papel mais amplo nesse contexto.

 

Tacila Gonçalves Nascimento – Atua na área de tecnologia há mais de 5 anos e hoje é analista de Qualidade de Software na empresa Affero Lab.

Embora a história da computação seja marcada por contribuições de grandes mulheres, como Ada Lovelace, Grace Hoppe e tantas outras, nós, mulheres da TI, ainda ocupamos um segundo plano nesse mercado. Trabalhando na área de TI há pouco mais de 5 anos, lembro-me que, no meu primeiro dia de aula, na faculdade de Sistemas de Informação, um colega me disse: "Mulher na TI, tira uma foto porque não vai até o final!". Formei, hoje atuo como Analista de Qualidade de Software e faço especialização em Engenharia de Software! Além de piadas como essa, já fui eliminada de processos seletivos por ser mulher, já ouvi mais piadas machistas, percebi a falta de credibilidade no meu trabalho e oportunidades sendo transferidas a outros colegas homens. É claramente visível que a porcentagem de mulheres estudando ou trabalhando na área de tecnologia ainda é muito pequena, mesmo que atualmente as pessoas já estejam se acostumando a nos ver mais nesse setor. Mas no meio de tantos obstáculos, não nos faltam exemplos de mulheres inspiradoras, como as já citadas, que desafiam os preconceitos e provam que somos capazes e podemos sim, sermos mulheres da TI! Nesse dia especial, dedicado a nós, mulheres de fibra e fé, desejo respeito!

 

Thainá Gomes - MC - Formada em Serviço Social pela UFJF, participa das batalhas de rima e projetos sociais ligados a cultura Hip Hop desde 2012. O seu primeiro EP de músicas autorais está em produção.

O que me inspirou a fazer rap é que, como amante de música e de poesia, vi que por meio dele é possível criar reflexões e possíveis transformações positivas no mundo. O número de mulheres é bem menor em relação ao número de homens no rap. Fico feliz de ver as mulheres produzindo, improvisando e escrevendo, e de ver a mulherada chegando nos outros segmentos, fortalecendo a cena em todas as profissões. Quando você tem algo importante a fazer e acredita na relevância dessa atitude, essa força é maior do que qualquer preconceito ou dificuldade que você possa sofrer. Preconceito não existe só no rap, existe em toda a sociedade inclusive em outros nichos musicais. Acredito sim que a nossa simples presença já quebra barreiras e que nas nossas rimas, podemos criar reflexão e transformação em relação a esse aspecto. A educação, como em quase tudo, é a chave; e a música, sem dúvida, tem grande papel de formação.
 

Yane Alves – É universitária e uma representante poderosa das mulheres trans da cidade!

Hoje é o Dia da Mulher, a minha inspiração maior! Foi por meio delas, que me descobri, me aceitei, fui a minha procura e me achei. Grande dia! Dia de homenagear todas aquelas que são importantes em minha referência como pessoa e mulher. Mãe, avó, tias, primas, amigas, conhecidas, e tantas outras mulheres que não tinha contato, mas que sempre me causaram admiração. Hoje, como mulher -sim, sou uma- sinto-me feliz em poder dizer obrigada a todas que participaram direta ou indiretamente do meu crescimento. Ser mulher tem seus diversos significados, e tenho certeza, que para cada uma é diferente. Para mim, é romper barreiras, quebrar paradigmas, vencer preconceitos, assumir o meu EU e a minha verdadeira identidade, dia após dia. É saber que minha alma feminina prevalece. Por fim, parabéns a todas as mulheres! Inclusive, para aquelas que se assumem como são e lutam pelo respeito. Para todas nós, dias de mais valor, de mais graça, mais amor e igualdade! A igualdade e o respeito sempre prevalecem. Independente de sermos mulheres cis ou trans!
 


Foto: SuperEla

O Zine agradece a participação de todas as mulheres e aproveita para desejar mais igualdade, respeito, equiparação salarial, segurança, visibilidade, aceitação das diferenças e diversidade, empoderamento e ainda mais representatividade ás demais moças desse mundo! Vocês merecem. Primeiramente, respeita as mana! 💪 💪 

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