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O Rinoceronte, a lua e o tonel: 220 voltz - Zine Cultural

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O Rinoceronte, a lua e o tonel: 220 voltz

Por:

Por Anna Esteves (RJ)*
O início da parceria da Cia Teatro Enlatado, de São Paulo, com o diretor Ramiro Silveira traz para o 8o Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora a peça infantil “O Rinoceronte, a lua e o tonel”. Trata-se do desafio de transpor para a cena três contos do autor Peter Bichsel: “O homem que não queria saber mais nada”, “Tio Iodok” e “A terra é redonda”.
A “corrente elétrica” já começa a vibrar no 220 volts e transborda do palco para a plateia numa frequência tão acelerada que não se percebe o início e fim de nenhum dos três contos, que se misturam e se perdem numa profusão de imagens e palavras, seguidas de mais e mais imagens, palavras e coreografias para sustentá-las, sem tempo para um suspiro de reflexão. Esse momento ocorre na cena que nos remete à lembrança do avô, sensivelmente criada por meio do recurso da sombra projetada num jornal. 
A sensação final é de um grande cansaço visual, embora a produção da peça seja impecável, com precisão técnica do elenco, figurino, adereços para a troca de personagem e ilustração da imaginação alheia, que é usurpada do público e oferecida a varejo, escolha da trilha sonora e a bela desenvoltura no uso do tonel, que dá nome ao trabalho.
Fotos por David Azevedo
O “choque” no público infantil é contínuo, e essa sensação de ver olhos atentos sem piscar, perceptível pela distância de ter saído da “corrente”, coloca a questão: um conteúdo de qualidade e executado por uma produção de qualidade necessariamente tem que ser passado para a criança com a mesma forma utilizada pela indústria cultural, que propõe a venda de uma imaginação pronta? O silêncio e atenção da plateia é necessariamente termômetro de acerto?
*Anna Esteves é doutora em Artes Cênicas pela UNIRIO e em Artes, Línguas e Espetáculo por Nanterre (Paris X)
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