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Primeiro livro - Zine Cultural

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Primeiro livro

Por: Vinícius Barreto

Do jornalismo cultural às páginas em branco e mente a milhão. Essa foi a trajetória de Tiago Santos-Vieira, ex estagiário de jornalismo do Zine Cultural, que lança seu primeiro trabalho, o livro “Elos do Mau Agouro”. A trama de terror psicológico gira em torno de três personagens sombrios: um padre, uma noviça e um terrorista do ETA. Segundo palavras do próprio autor  “Elos do Mau Agouro" tem limites tênues entre a ficção e a realidade. Uma saga repleta de sangue e amputações que beira o torture porn, onde a onipresente figura do Diabo é subliminarmente discutida a cada página.” E claro, se tem novidade boa, o Zine Cultural chega junto. Trocamos uma ideia com Tiago sobre seu primeiro trabalho no campo da literatura. 

Em que ocasião exatamente você descobriu sua paixão pelas letras?
Enquanto estudante de comunicação, aí mesmo na UFJF, enveredei minha pesquisa para o jornalismo literário, mais precisamente o gonzo journalism, vertente do mestre Hunter Thompson – que mistura ficção, realidade, situações extremas, alguns entorpecentes e dois canos fumegantes (kkkk). Foi um período áureo do jornalismo, onde era dado um trato lindamente literário às reportagens. Minha vontade de escrever um livro veio daí. Mas minha paixão pelas letras herdei da minha vó, uma devoradora contumaz de livros... Inclusive foi a primeira a terminar “Elos do Mau Agouro”.

De onde surgiu a ideia de escrever um livro de terror psicológico?
O horror, como gênero, sempre me apeteceu! Da contação de causos daquilo que chamo de “terror agrário”;  “brincadeiras do copo” na pré-adolescência... Porém sempre gostei mais do “terror onipresença”, como gosto de chamar intimamente o “terror psicológico”: em vez de mostrar espíritos, monstrinhos, serial killers, o diabo personificado, etc... O “terror onipresença” apenas incita o mau, a todo tempo, principalmente traduzido em perturbação psíquica. Você pode ter um maluco que vai te esquartejar bem aí do seu lado, no seu trabalho, na sua casa... Essa verossimilhança, essa relação de proximidade, que me encanta no “terror psicológico”.      


Vídeo de divulgação de Elos do Mau Agouro

Como você vê o mercado para novos escritores?
Fui agraciado com um contrato muito interessante, coisa muito difícil para estreantes, como é o meu caso. Fechei com a Giostri Editora, verdadeiros militantes da literatura nacional. Mas se não fosse esse contrato, bancaria do bolso o livro. Fiz todo um projeto pensando em um “Plano B” caso não fechasse com nenhuma editora. Paradoxal isso, mas, mercadologicamente falando, a literatura é muito mais punk que a música. O “faça você mesmo” funciona muito mais para as letras!     

Pretende continuar escrevendo? Já tem algum trabalho em mente?
Sim, claro! Durante muito tempo deixei a literatura guardada num baú. O fiz pela ralação com o jornalismo, outra paixão que tenho, principalmente a crítica musical. Mas redação e afins nos sugam muito (não deixando de ser prazeroso). Porém agora, que estou em outra situação na minha vida, pretendo sim revirar o baú de minhas historias macabras. Já tenho sim um novo projeto em mente. Contudo, preciso trabalhar “Elos do Mau Agouro”. Não basta só escrever, tem que ralar com divulgação também. E estou gostando muito de fazer isso! Acredito que um autor precisa ser um bom comerciante acima de tudo.   

Como foi sua passagem pelo Zine Cultural? Qual foi o período que ficou por aqui? E como o trabalho no Zine influenciou na sua vida profissional?
Não me lembro exatamente o período, mas foi minha primeira experiência profissional com o jornalismo. Tive dois blogs no Zine: Retrocult e Cabeça Dinossauro – eu amava fazer, porque o “Sr. Zine” (grande professor) me dava uma liberdade gigante para “pirar”... E eram odes aos anos 70, entrevista com bandas indie do Brasil todo, relatos sobre aparições de Robert Johnson em Ibitipoca... Eu fui colaborador da Rolling Stone, Trip para Mulheres, Riders, ralei muito no Diário de Guarulhos... Mas a fagulha disso tudo foi no Zine, um laboratório que já posicionou muitos malucos no mercado do jornalismo. Sou muito grato!

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