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Juntos Somos Fortes - Zine Cultural

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Juntos Somos Fortes

Por: Vinícius Barreto

Juiz de Fora já está, definitivamente, no caminho do Reggae no Brasil. Já passaram por aqui grandes nomes como Planta & Raiz, Natiruts, The Wailers Monte Zion, The Congos, Groundation, Chimarruts, e tantos outros da elite do Reggae nacional e internacional. Além de ser o berço de outras bandas que tem como influência o ritmo jamaicano como Onze:20, Etcoetera e Só Parênt.

Agora, um dos maiores nomes do reggae brasileiro retorna à nossa cidade para mais um show inesquecível.  Ponto de Equilíbrio agita a noite do Cultural Bar com  sua nova turnê, Juntos Somos Fortes. E como de costume, o Zine bateu um papo com os reggaeiros. Confira a entrevista e entre no clima.  

Quais as principais influências do Ponto?
Ponto de Equilíbrio: Ponto de Equilíbrio é uma banda bem eclética, tendo o reggae como fio condutor. Sobre as influências musicais, todos ouvimos muita música produzida na jamaica nos anos 1970, como Bob Marley, Peter Tosh, Bunny Wailer, Burning Spear, Israel Vibration, Abyssinians, Don Carlos e The Congos. Também novos nomes como Damiem e Julian Marley. Também admiramos a música feita em diversas partes da África e a música brasileira como o Samba. Esses são apenas alguns exemplos.

Vocês ainda têm vontade de fazer alguma parceria, com músicos nacionais ou internacionais, que ainda não foi feita?
Ponto: Estamos lançando nosso primeiro DVD JUNTOS SOMOS FORTES com participação de Marcelo D2 e Laurinho D'ORappa. No álbum anterior, Dia após dia Lutando, tivemos a honra de gravar com grandes ícones da música reggae, o quarteto The Congos e o cantor Don Carlos, além de D2 e Jorge Du Peixe da banda Nação Zumbi. Com The Congos e Don Carlos gravamos dois video-clipes e fizemos apresentações em diferentes cidades. Admiramos o som de muitos artistas nacionais e internacionais e só para citar alguns deles, posso dizer que será uma grande satisfação caso um dia venhamos a gravar com algum membro da família Marley e no Brasil, com Jorge BenJor. 

Com tantos pop/reggae ganhando cada vez mais a mídia em trilhas sonoras de novelas, como o Ponto vê o cenário do reggae de raiz no Brasil?
Ponto: O reggae é um gênero musical que possui várias vertentes e desdobramentos, desde o Ska e o RockSteady que antecederam o reggae propriamente dito e ainda hoje fazem história. O roots reggae da década de setenta bebeu na fonte da música RastafarI com os tambores Nyahbinghi e da música americana R&B, Soul e etc e também deu origem ao dub, ao dancehall, ao raggamuffing e daí por diante. Hoje existem artistas que muitos chamam de "newroots". Nós do Ponto de Equilíbrio nos identificamos com a música reggae como um todo. Sem muitos rótulos, buscamos fazer nossos experimentos musicais e sempre respeitando a musicalidade dos demais. Existe sim um público que admira o reggae de Norte a Sul do Brasil e idependente de modismos passageiros o reggae é uma música que ultrapassa gerações e está aberta ao diálogo com outras vertentes musicais.

A que vocês atribuem o motivo do pouco espaço dado pela mídia às músicas com críticas sociais, como as que o Ponto faz? 
Ponto: Possivelmente isso vem do fato de que a crítica social desperta uma mobilização coletiva em busca de melhores condições de vida e muitas vezes a televisão e a mídia como um todo tem a tendência de manter seu público passivo, enfatizando apenas seu potencial de consumidor e não de sujeito e agente em decisões mais sérias na esfera pública, como a política.

O Reggae historicamente é associado à maconha. Qual a posicionamento da banda em relação a isso? Como essa associação interfere no mercado fonográfico para o Ponto? 
Ponto: Historicamente o reggae sofre preconceitos por ser uma música de negros, de pobres, vinda de um país de "terceiro mundo" e também por estar relacionada ao uso desta planta, a Cannabis. Evidentemente isso não é um pré-requisito para ouvir reggae e da nossa parte não fazemos apologia. Falamos pontualmente sobre esse tema, como por exemplo na música "Santa Kaya", trazendo uma reflexão e uma narrativa histórica do uso desta erva, apontando para seu potencial medicinal e para diferentes usos em contextos culturais distintos. Não sei de que forma isso interfere diretamente no mercado fonográfico, mas é evidente que algumas marcas (e eventualmente gravadoras) podem pensar duas (ou algumas) vezes antes de ligar seu nome ao gênereo musical no qual o uso da Cannabis está atrelado, podendo concluir que isso pode trazer alguma falta de prestígio à sua marca no mercado e consequentemente a diminuição do lucro que possuem. Mas por outro lado, um novo momento histórico internacional, tal como está acontecendo no Uruguai e em outros países apontam em um sentido oposto, ou seja, a partir do momento em que esta erva deixa de ser marginalizada ela pode vir a ser vista com bons olhos, tendo qualidades medicinais e outras a serem destacadas, sendo inclusive uma potencializadora da economia de um país e das empresas que estejam lado a lado.
 
O Show acontece na quinta, 27, no Cultural Bar & Roll. Até lá! 
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