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A arte não está à venda - Zine Cultural

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A arte não está à venda

Por: Vinícius Barreto e Talita Scoralick

Com o objetivo de discutir a relação dos meios de comunicação com o consumismo exagerado, o Grupo Êxtase de Dança, veio de Viçosa para Juiz de Fora, com sua nova turnê "For Sale". Com coreografia de Fernando Martins e produção local da empresa Pomar Cultural, com curadoria de Débora Coghio, o espetáculo conta com apresentações gratuitas em locais abertos da cidade. Entre eles, o Parque Halfeld e o Museu Mariano Procópio neste sábado (27) e a Praça Cívica da UFJF no domingo (28).
Batemos um papo com a diretora, Patrícia Lima, sobre a nova produção do grupo, que, com quase 30 anos, já conquistou grandes prêmios no cenário mineiro e percorreu mais de 40 cidades da Zona da Mata com suas turnês.
Como surgiu a ideia do espetáculo atual?
O espetáculo For Sale surgiu a partir de um bate papo entre eu e o e o coreógrafo Fernando Martins, que já vinha pesquisando temas relacionados ao consumo e neste momento, o Grupo Êxtase estava numa fase de buscar patrocínio para sua manutenção e para isso precisava “vender” sua arte. Com isso se encaixaram as ideias do coreógrafo com os objetivos do grupo de explorar mais este tema. Durante a pesquisa para construção de For Sale, estudamos  diversos conteúdos que estão ligados principalmente à utilização de recursos midiáticos na manipulação do consumo na sociedade contemporânea, que serviram como base e início da montagem do trabalho. 
 
No cenário ártistico, as músicas comerciais estão sempre em evidência e muito material de qualidade é deixado de lado. Vocês acreditam que a arte ainda pode recuperar esse espaço perdido, principalmente na mídia? 
Eu acredito que são espaços ocupados de formas diferentes. Existem os artistas do entretenimento e artistas que promovem e trabalham com cultura e arte para as pessoas de modo geral. Dessa forma, o verdadeiro artista não se preocupa em estar em evidência  na mídia e sim produzir e levar sua arte como forma de trazer o público para um lugar novo para um maior auto-conhecimento, educação e agregação de valores à população. Embora acredite que há espaços para ambos reforço a grande dificuldade do artista que trabalha com cultura de sobreviver sem a midia e que o faz pela paixão que tem pela sua arte.
Como foi a preparação para esse espetáculo? 
Foi uma preparação intensa, que envolveu vários laboratórios, principalmente por ser um trabalho criado especialmente para ser apresentado nas ruas. Isso exigiu muito  dos bailarinos da equipe técnica e que se dedicaram ao máximo para fazer um bom trabalho, tendo em vista a grande dificuldade de levar um espetáculo de dança contemporânea para espaços abertos e ambientes públicos. Um grande diferencial na criação foi a metodologia do coreógrafo que para preparação e montagem desenvolveu com os bailarinos, o Braing Diving, criada  por ele e que se propõe a ser uma ferramenta que permite uma conexão plena entre consciência e realidade durante o movimento oferecendo aos bailarinos a possibilidade de reconhecer e organizar, durante o seu percurso criativo, os pensamentos, emoções e sentimentos. Toda essa preparação pode ser principalmente sentida e vista no resultado que é For Sale.
A crítica por meio da dança é algo ainda pouco encontrado nos palcos de Juiz de Fora. Vocês já estão com planos para outro espetáculo do gênero? 
Juiz de Fora sempre esteve presente nos projetos do Grupo Êxtase. A cidade representa uma importante vitrine para o nosso trabalho devido a sua importância na Zona da Mata e possui muitos trabalhos artísticos de destaque, o que nos motiva ainda mais a trazer  espetáculos para a cidade. Sempre que possível Juiz de Fora estará em nossas tournés.
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