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A força da representatividade feminina no Hip Hop de JF - Zine Cultural

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A força da representatividade feminina no Hip Hop de JF

Por: Rívia Petermann


Blog atualizado em 11/11/2020
 


O Hip Hop voltou a ficar em alta com uma força que há muito tempo não se via.


Muita gente não sabe, mas, além das rimas e das músicas, há 4 elementos que unidos formam e representam a cultura: MC, DJ, Graffiti e b-boy ou b-girl.


Isso sem citar o Conhecimento, o 5° elemento, que é o cerne do Hip Hop - sem informação, não há o movimento, que já nasceu de uma necessidade de protesto e expressão, com o intuito de empoderar. 

 

 

Em julho de 2017, batemos um papo com seis participantes ativas da cena Hip Hop de JF: Amanda MessiasBárbara BubsChris AssisLaura ConceiçãoNanda Gondim Thainá Kriya. O blog #BombouNoZine e mereceu esse repost em todos os anos seguintes. Saca só!


Falando em empoderamento, o Hip Hop feminino é, sem dúvidas, uma das maiores razões para a explosão e efervescência, principalmente, do rap.


Quem nunca se pegou cantando uns dos hits de Karol Conka? E não para por aí: a força do protesto feminino também é um feito de figuras como Preta Rara, Flora Matos, BrisaFlow, Lívia Cruz, Lurdez da Luz, Rap Plus Size... e isso apenas para citar alguns nomes, então, fica a dica!


Pelas ruas de Juiz de Fora, esse cenário não poderia ser diferente. Ao contrário. De um tempo pra cá, a força da participação das mulheres na cena se intensificou, apareceu, com ares e certeza de que veio para ficar.


Em um meio predominantemente masculino, a participação das minas se destaca pela forma como elas chegam para mostrar suas vivências, falam o que até então não havia sendo dito, fazendo o próprio corre, desconstruindo tabus enraizados e deixando claro que a insatisfação com a desigualdade não vai passar direto!  

 


Nanda Gondim, Thainá Kriya, Chris Assis, Amanda Messias, Laura Conceição e Bárbara Bubs

 

1) Amanda Messias 


"Parece clichê, mas não tem como não dizer que minha busca é sempre pelo empoderamento. Sou mulher, negra e periférica. Não é fácil chegar em muitos lugares, meu trabalho reafirma quem eu sou, o que eu acredito e vivo. E esse 'eu' são muitas outras meninas e mulheres de Juiz de Fora." 

 


Amanda Messias (Foto: Nanda Gondim)


As batalhas que rolavam no DCE e Happy Lanches foram o primeiro contato de Amanda Messias com a cultura Hip Hop de JF, por volta de 2010, quando era espectadora das rodas.


Agora ela é DJ Amanda Messias. Com um contato tão frequente com as causas, a responsabilidade social passou a ser uma prioridade: ela deixa claro que tem intenção de ajudar e contribuir para que outras meninas se capacitem, seja como DJs, MCs, grafiteiras, b-girls ou público.


Sempre com foco na informação e preocupação social - afinal, nas palavras dela "Hip-hop é cultura, sempre bom lembrar"!


Ser uma das representantes de peso do Hip Hop  é, sem dúvidas, um imenso desafio, social e cultural. Não é atoa que ela considera essa posição uma responsabilidade e uma honra!


Na hora de compor os sets, a inspiração da DJ é, principalmente, o que gosta de ouvir. E, claro, o que vai animar a pista - não faltam batidas de funk e os principais lançamentos do rap! Para conhecer mais sobre o trabalho da DJ, é só ficar de olho na página Amanda Messias - ACósmica, no Facebook.
 


ZINE - O que ainda precisa ser mudado para que a representatividade feminina seja ainda mais crescente no Hip Hop? 

 

Amanda Messias

"Eu acredito que já houve uma evolução muito grande! Antes era preciso ser 'muito responsa' pra ter moral na cultura ou ser “a mina” de algum cara.

Hoje é possível ser protagonista no rap com seu esforço. O que precisamos é mostrar o que fazemos, sem medo de julgamentos. Quanto mais a gente produzir e mostrar, mais espaços vamos conquistar.

Me deparo com misoginia, machismo, sexismo diariamente e faço questão de combater, quando sofridos por mim ou não, antes a gente ouvia e guardava. Nem sempre dá para esperar uma reflexão por parte do outro, o diálogo – ou o embate -  ajuda nesse processo."



 

ZINE - Quais os maiores desafios e recompensas de representar elemento DJ?
 

Amanda Messias

"O maior desafio é mostrar que uma mulher, mesmo sem rimar, possui conhecimento e referência musical para atuar na cultura.

O hip-hop, assim como a sociedade geral, é muito machista e uma mulher para ser “considerada” DJ precisa provar seu conhecimento o tempo todo.

A recompensa é poder representar as meninas e também apresentar trabalhos e projetos que não são reconhecidos pelos caras. Mostrar que nós mulheres temos sim, muito repertório!"
 

 

2) Bárbara Bubs



"O hip hop está aqui pra quebrar paradigmas e cada resultado positivo que alcançamos é uma vitória. Hoje minha mãe me admira. E para os machistas de plantão, não somos um pedaço de carne no palco dançando, ok?!"


 


Bárbara Bubs (Foto: arquivo pessoal)



Para Bárbara Oliveira, a Bárbara Bubs, b-girl, a paixão pelo Hip Hop veio por meio da dança.


As coreografias de figuras como Michael Jackson, Destiny Child, Backstreet Boy, Missy Elliot e Eminem despertaram a vontade de dar os primeiros passos, quando tentava imitar os clipes que passavam nos saudosos programas da MTV. E não parou por aí.


Aos 11 anos, ela se inscreveu nas aulas de Street Dance no grupo Expressão e Arte. Desde então, o contato com a cultura aumentou para uma paixão por todo o movimento, que ela faz questão de levar para cada vez mais pessoas.


Após o Street Dance, veio o Pop, o Hip Hop, o Old School até o Popping, Loking, House Dance, Jazz Funk, Dancehall e o Break! Atualmente, sua paixão é o Hip Hop Dance, no entanto, também se dedica ao estudo do House e ao treino do break com o grupo Flowkilla. 


"O mais legal das danças urbanas é que elaa envolvem traços de muitas culturas diferentes"
, esclarece. No caso de Bárbara, os preconceitos foram além do machismo das ruas - dentro de casa isso também é uma realidade, que nem sempre é tão abordada ou discutida.


Felizmente, já são águas passadas para a dançarina. E ela manda o recado para os machistas de plantão: "não somos um pedaço de carne no palco dançando, ok?!"



ZINE - O que ainda precisa ser mudado para que a representatividade feminina seja ainda mais crescente no Hip Hop? 
 

Bárbara Oliveira

"Falta olharem pra nós com seriedade, porque o que eu vejo hoje é um pouco de desconfiança do nosso trabalho em relação aos homens, e acho que já provamos que viemos com força não é?

E isso desde muito tempo atrás... Lauryn Hill, Kmila CDD, Roxy, Sarah Bee, entre outras milhares espalhadas pelo mundo.

Mas as coisas estão mudando, tenhamos calma e sejamos pacientes, que daqui a pouco tudo se consolida. "
 



ZINE - No break, assim como nos outros elementos da cultura Hip Hop, a participação masculina também é majoritária. Você se depara com preconceitos?
 

Bárbara Oliveira

"
Há alguns anos eu poderia dizer que sim, mas hoje em dia não mais, treino com homens que além de não serem machistas, me incentivam bastante com o break, e convivo com b-girls super talentosas.

O machismo que tive que lidar durante esses anos veio de dentro de casa, pois minha mãe nunca aceitou muito bem o hip hop na minha vida, julgando minha dança como “masculinizada”.

Mas isso mudou e percebo que o caminho percorrido valeu a pena, porque o hip hop está aqui pra quebrar paradigmas e cada resultado positivo que alcançamos é uma vitória. Hoje minha mãe me admira."

 

3) Chris Assis

 

"O Hip Hop não está completamente excluído do machismo, poquer nossa sociedade é machista. As mulheres não têm espaços cedidos gratuitamente. Normalmente, o que acontece é que nós corremos atrás e lutamos com garra pelo nosso espaço. "

 


Chris Assis

 

Também conhecida como "tia", Chris Assis é grafiteira, pedagoga, mestranda em movimentos sociais e Educação e criadora dos projetos Educarte - Hip Hop e Educação e hiphopologia.


A trajetória de Chris no Hip Hop data de anos - já escutava rap, mas começou o seu envolvimento na cena há 6 anos, quando começou a produzir eventos motivada pela identificação com a cultura e sua história.


Essa relação se tornou uma espécie de encantamento foi crescendo e produzindo inúmeros resultados. O projeto "Educarte - Hip Hop e educação" leva os elementos do Hip Hop para as escolas da periferia, transformando os espaços formais de educação em um local direcionado a um conhecimento mais amplo e diverso, aliado à arte, poesia e dança.


A proposta evoluiu. A partir dela, surgiu a ideia de ocupar todos os espaços públicos possíveis, trabalhando os cinco elementos - assim foi criado o Hiphopologia, que já marcou presença na UFJF em inúmeras edições do "Domingo no Campus".


Na cultura das ruas também tomou um outro rumo, o Graffiti. Ela, que sempre gostou de pintar, começou com o pixo quando conheceu Andre Aneg, também artista e grafiteiro, que foi seu "mentor e grande incentivador", diz.


A frase de Afrika Baambata, da Zulu Nation, ilustra seu lema no Hip Hop: "Paz, amor, união e diversão"!

 

ZINE - O que ainda precisa ser mudado para que a representatividade feminina seja ainda mais crescente no Hip Hop? 
 

Chris Assis

"Estamos fazendo aos poucos o que é preciso, correr atrás, evoluir cada vez mais, lutar pelos nossos direitos, sem medo e sem baixar a cabeça pra quem não quer nos ver brilhando."

 

 

ZINE - Os projetos Educarte e Hiphopologia, idealizados por você, levavam para as escolas, campus e espaços públicos os quatro elementos do Hip Hop, além do quinto, o Conhecimento. Como você teve a percepção da importância destes projetos? Quais os resultados mais marcantes para você?
 

Chris Assis

"Com a minha formação em pedagogia, sempre fiz muitos questionamentos sobre a educação escolar, como sobre ela poder ser excludente com os alunxs de periferia, daí comecei a estudar movimentos sociais no Brasil e perceber a forte relação entre eles e a educação.

Partindo disso fui notei o quanto o Hip Hop é educação, mas uma educação popular, não formal. Comecei a realizar os eventos, trabalhando os 5 elementos e mostrando como cada um deles é educativo em suas diversas expressões".

 

 

4) Laura Conceição


"Tanto na cena do hip hop, quanto em diversos outros âmbitos sociais, há uma dificuldade das mulheres em se inserirem. É uma parada universal, infelizmente, mas que a gente vem lidando muito para que isso não aconteça.

No cenário do rap de JF estamos vindo em um movimento de ascensão. E muitos dos MCs daqui apoiam isso. Mas ainda falta muita coisa. A sociedade ainda não é acostumada com as minas na frente dos projetos, com uma mina que pega microfone para falar a verdade no palco, entendeu? "

 


Laura Conceição (Foto: Arquivo Pessoal)
 

Para a rapper Laura Conceição, tudo começou com o gosto pela poesia e suas rimas. Até que, em uma aula de Literatura da sétima série, uma música de rap a fez perceber que aquilo nada mais era do que sua poesia cantada.


Daí pra frente, os versos iam do papel para o canto, até se tornarem um processo proposital - a composição de letras de rap. Para as batalhas de sangue, que são as batalhas de improviso, com ataque e defesa, um dos trunfos da MC é rebater com rimas inteligentes, nas quais o tema mais abordado é o feminismo e os direitos das mulheres, fazendo jus à sua militância.


Segundo ela, muitos MCs têm em dificuldade em batalhar com mulheres devido ao machismo. Assim, preparação vai muito além dos beats e das palavras rimadas. A leitura sobre assuntos gerais e acontecimentos é algo necessário, afinal, o improviso não vem sem Conhecimento! Mas ela garante que estar no palco é tranquilo: "gosto muito de cantar, então minha preparação é vocal e estar antenada para sempre usar referências", explica. 

 

ZINE - O que ainda precisa ser mudado para que a representatividade feminina seja ainda mais crescente no Hip Hop? 


Laura Conceição 

"A questão da misoginia e do machismo em rodas de MC não vem daqui, ela é geral, universal. Aqui rola também. Temos MCs que são muito bons , que sabem batalhar em alto nível, e aí sim é uma batalha foda de participar, porque eles não são misóginos.

Mas a gente tem uma grande maioria de MCs que ainda têm essa dificuldade de respeitar, e aí acabam apelando com xingamento, baixo calão, ofendendo por nós sermos mulheres, isso acontece muito.

Mas eu acho que aqui em Juiz de Fora a gente tem MCs que reprsentam bem, apoiam e fortalecem as batalhas pras minas que gostam de batalhar."
 


ZINE - Como é ser mulher nas rodas e batalhas de JF? 
 

Laura Conceição

"
Ser uma mulher na roda de improvisp é muito difícil. Eu sou muito militante, então eu fico incomodada. Vêm algumas rimas às vezes do tipo "homem vai querer te comer", umas paradas muito doidas assim e absurdas, tipo, você vai perder porque é mulher.

Então, como eu falei, no Hip Hop e em outros âmbitos sociais, ter uma mulher como MC é um pouco revoltante às vezes. Mas a gente precisa existir e precisa contar com aqueles manos que apoiam e que não praticam isso - ou que praticam isso muito pouco - pra que a gente consiga se inserir e mudar essa realidade."

 


 

5) Nanda Gondim



"O desafio de ser DJ, para mim, é sempre fazer com que as pessoas que estão na festa sintam-se representadas de alguma forma a partir da música tocada.

Olhar a pista cheia, as pessoas dançando, cantando, interagindo com o som que você está tocando é, para mim, uma satisfação e sensação de dever cumprido e de fato.

A melhor recompensa é saber que você está agradando a grande maioria e fazendo com que as pessoas deixem seus corpos serem guiados pelo ritmo da dança."

 



Nanda Gondim (Foto: Clique Cahon)


A DJ e fotógrafa Nanda Gondim encontrou sua vocação dentro da cultura Hip Hop após se aventurar por caminhos diferentes. Aos 13 anos, teve os primeiros contatos com o street dance, onde se deparou com o que passou a ser suas primeiras referências musicais, além de pessoas que a instruíram nesta trajetória.


Começou a ser atuante na cena, de fato, por volta de 2011, quando, na companhia de sua primeira câmera, passou a fotografar e documentar os movimentos que encontrava pela cidade.


Após conhecer as Rodas de MCs, as quais começou a fotografar, passou a aprender, vivenciar e colaborar para a disseminação da cultura Hip Hop da cidade. Suas inspirações como DJ são músicas brasileiras, ritmos latinos como o reggaetown, o reggae e o Hip Hop dos anos 2000, mas sem se prender a isso -  a intenção é mostrar originalidade no som, com ritmos contagiantes!


Mesmo que não seja exclusividade, em seus sets sempre são encontradas músicas cantadas por mulheres que contam a realidade de suas vivências nos dias atuais. As canções nacionais também possuem um lugar cativo e rendem elogios em seu trabalho. Não podem faltar em seus sets: Karol Conka, Flora Matos, Lurdez Da Luz, Missy Elliot, Beyoncé, Rihanna, The Internet, Fugees, KAYTRANADA e Jaden Smith.


"É minha forma de contribuir para que mais e mais pessoas escutem a mensagem que elas estão transmitindo e assim, fazer com que mais pessoas tomem consciência do sistema em que vivemos", destaca.


E uma de suas missões, tanto como DJ quanto como fotógrafa, é difundir mensagens e pensamentos para que todos se tornem um só nesta luta! 
 


ZINE - O que ainda precisa ser mudado para que a representatividade feminina seja ainda mais crescente no Hip Hop? 

Nanda Gondim

"
O machismo está presente em todos os nossos dias. Não somente na cena Hip-Hop, como também em uma ida à padaria, em uma ida à Faculdade, está inserido em nosso cotidiano e cabe a nós, mulheres, ser a voz dessa mudança, mostrar e instruir os homens o que o feminismo propõe.

Comparado com 2012 por exemplo, a representatividade feminina só cresceu e tende a crescer cada vez mais, é só ter espaço, e vejo cada vez mais portas se abrindo para essa mudança."

 

ZINE - Como você enxerga a cena Hip Hop em JF? Como são os incentivos culturais municipais, o envolvimento e engajamento do público?
 

Nanda Gondim

"Esse assunto é um pouco crítico, visto que a cultura, o patrimônio histórico e a arte em nossa cidade vivem em um longo processo de desvalorização.

Em parte devido à crise e a falta de incentivos financeiros e outra parte devido ao desinteresse mesmo por parte de muitos orgãos competentes. Mas ainda bem que temos pessoas com muita disposição, que já viram que não podem depender desse auxílio e se dispõem a colocar a mão na massa e fazer por conta própria.

Nesse quesito, a cultura em nossa cidade vem crescendo e se fortalecendo, assim como os movimentos que estão sempre a frente desse processo.

O público é cada vez maior e cada vez mais crítico também, e isso fortalece para o crescimento do movimento como um todo, além do crescimento individual de quem está presente."


 

6) Thainá Kriya

 

"Eu tinha descoberto muitas coisas incríveis nas minhas meditações e queria vibrar aquela energia com a minha presença e com a minha voz.

Eu sempre tive muita coragem, então eu arrisquei e nesse propósito eu percebi que o Hip Hop é um meio de evolução muito forte, vi que eu tinha que estudar pra fazer aquilo, que eu tinha que manter uma boa vibração, cuidar do meu corpo, da minha mente e me conectar com a minha alma.

Nesse caminho eu acabei servindo de exemplo pra várias meninas que viram que é possível mulheres fazerem Rap também, desde que você acredite, respeite, conheça e ame a cultura Hip Hop!"


 


Thaina Kriya (Foto: https://goo.gl/nD7Gxa)



A relação entre o rap e a MC Thainá Kriya veio como um insight à primeira vista: em uma festa, a rapper viu MCs pegando o microfone para falar em alto e bom som o que queriam, e seu primeiro pensamento foi: "Eu preciso fazer isso"!


Suas lembranças com os ritmos estão presentes desde pequena, quando, nas festas da escola, os próprios alunos escolhiam o som, como Racionais MCs. Outro ponto também foi natural nesta trajetória, já que sua relação pessoal com a poesia e a composição já era forte - antes mesmo de pensar em cantar, já escrevia.


Em 2012, começou a participar das batalhas de rima. Nesta época, era a única mulher que participava das batalhas, além de outras meninas que vinham de outras cidades. Felizmente, este número mudou e continua se modificando. 


Hoje a presença feminina está no Rap e em outras representações do Hip Hop.  Thainá participou de um coletivo com Marte MC, RT Mallone e Everton Beatmaker difundindo a cultura além da periferia!


O que a inspira a fazer Rap é a possibilidade que enxerga em criar reflexões e transformações positivas no mundo.


Passar a mensagem certa com a canção é seu foco principal na hora de improvisar, cantar e escrever: "Nesses momentos sou influenciada por tudo a minha volta, estou sempre refletindo sobre o que vi ou vivi, tento sentir o que é necessário trabalhar em cada momento, mas acredito que como a espiritualidade é muito forte na minha vida ela sempre permeia essas abordagens", reflete. 



ZINE - O que ainda precisa ser mudado para que a representatividade feminina seja ainda mais crescente no Hip Hop? 


Thainá Kriya

"
Acredito que tanto nos homens quanto nas mulheres existem as energias femininas e masculinas, mas a energia feminina tem sido suprimida por ideias seculares.

Se você reparar, isso atinge até os homens (como aquelas questões de que homem não pode se mostrar sensível, chorar, dançar etc.). A terra clama pelo equilíbrio dessas energias e a nossa participação tem feito a energia feminina circular.

A nossa presença no rap é um exemplo de que nada pode te deter além de você e que você pode ser atuante nesse equilíbrio. 

Então quanto mais mulheres fizerem o que acreditam, mais forte estará esse movimento de libertação. Isso no caso serve para os homens também, é claro que em situações diferentes."

 

ZINE - Como assistente social, como você vê a importância de unir o Hip Hop com movimentos como o Educarte e o HipHopologia.


Thainá Kriya

"
Unir os meus conhecimentos adquiridos no Serviço Social com o Hip Hop foi muito importante, porque a gente pôde viver os elementos na prática com os participantes dos projetos. 

Essa vivência fez com que eles tivessem mais elementos pra criar novas alternativas nas escolas em que passamos. Alternativas para a própria vida deles, porque vários deles vivenciam os elementos até hoje.

O Hip Hop trabalha a evolução e a auto estima das pessoas e pode se tornar até um meio de vida."

 

 

A cena Hip Hop em JF

 

ZINE - Como vocês vêem a cena Hip Hop em JF? Como são os incentivos culturais municipais, o envolvimento e engajamento do público?


 

 Amanda Messias

"A cena é linda e tem muita história antes da minha entrada nela. Existem muitas pessoas que vivem do hip-hop em Juiz de Fora, outras tantas que vivem por ele.

O coletivo vozes da Rua, A associação juiz-forana de HipHop, o Encontro de MCs e o Educart são alguns desses coletivos.

Todos têm ações e projetos há anos e promovem eventos periódicos na cidade. Muitos desses possuem incentivos culturais advindos da Prefeitura e da UFJF, porém essa é uma conquista recente. Muito disso por conta do público que vem crescendo a cada ano."


 


Bárbara Bubs

"A cena está crescendo, hoje temos a oportunidade de assistir show de rap e hip hop aqui na cidade, e isso mudou há pouco tempo. Além disso, a dança está ganhando espaço maior porque estamos recebendo incentivo da cultura, um exemplo claro foi o Corredor Cultural."
 

 

 


Chris Assis

"A cena na cidade está crescendo, está forte. Mesmo sem muitos incentivos municipais fazemos acontecer mesmo que de maneira independente.

O hip Hop é uma cultura marginalizada que cada vez mais vem mostrando ao que veio. Não buscamos aceitação da sociedade, mas queremos mostrar nossa voz onde for preciso."
 

 

Laura Conceição

"Eu acho a cena de JF foda. Os MCs daqui são grandes poetas, muito bons em serviço e eu me emociono de verdade. E

u aprendi muito com o pessoal da cena daqui. Hoje em dia eu tenho a oportunidade de cantar com pessoas que, até então, eu me espelhava.

O Marte, o RT, a Thainá, e assim por diante. Todo mundo é brother, a gente é amigo, nas músicas e fora da música. A cena é muito forte, é linda, é maravilhosa, é pesada.

JF tem uma cena incrível de rap, vale muito conhecer porque são grandes talentos. Na cena de JF eu tenho muito apoio, sou muito grata à galera que veio antes de mim, porque eu aprendi muito. Sempre me colocaram pra cima, me ajudando. Sou muito grata ao incentivo que a cena me dá. "




Nanda Gondim

"Eventos como o que a Seed proporcionam um estímulo gigantesco. O Encontro de MC´s e o Hip-hopologia também são organizações em que vejo essa mudança de representatividade muito nítida, inserindo mulheres tanto na discotecagem quanto em apresentações e no graffiti.

A cena inteira está tomando consciência de que as mulheres também sabem fazer rima, sabem fazer graffiti, sabem dançar e sabem discotecar... fazendo com que deixemos de ser meras especatadoras, para fazer parte da construção e consolidação do movimento."
 



Thainá Kriya

"O Hip Hop tem crescido muito na cidade, existem vários coletivos que produzem eventos e rodas culturais gratuitas toda semana. Eu participo de um coletivo com outros Mcs que tem feito bastante shows e nós estamos muito felizes com isso porque além de participar da cultura na rua, nósinserimos o rap de Juiz de Fora inclusive em casas fechadas.

Em relação ao incentivo do governo, eu participei de projetos de Hip Hop e educação que foram financiados por Leis de incentivo a Cultura e de programas da UFJF, como é o caso do Educarte  e do HipHopologia, mas acredito que esses vínculos possam aumentar com novos projetos."

 


 

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