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A Alemanha vista e vivida por uma juiz-forana - Zine Cultural

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A Alemanha vista e vivida por uma juiz-forana

Por: Tainá Voltas

Um intercâmbio é o sonho de muita gente, mas na hora de escolher qual tipo fazer, para onde ir, como se organizar financeiramente, entre outras questões, a coisa se complica um pouco, não é mesmo? São tantas dúvidas e a sensação de que essa é a maior oportunidade da sua vida até então, que você acaba entrando em desespero. Para te ajudar a desvendar um pouco sobre os mistério de ser um intercambista, conversamos com quem já viveu essa experiência em terras alemãs. Saca só: 

 






A intercambista em questão, responsável por falar sobre como é morar fora, é a Isabella Gonçalves. Também conhecida pelos amigos como Belloca, a estudante de Jornalismo da UFJF embarcou em setembro de 2016 para Bochum, na Alemanha, pelo programa de intercâmbio da instituição federal. Logo aí embaixo ela nos conta detalhes bem bacanas sobre os temas que mais chamaram a sua atenção por lá!

  

A estudante Isabella Gonçalves embarcou para Alemanha pelo Intercâmbio oferecido pela Universidade Federal de Juiz de Fora

 

EDUCAÇÃO EM PRIMEIRO LUGAR


"Eu notei muitas diferenças culturais e fiquei, de fato impressionada... principalmente com a Universidade, a Ruhr Universität. É tudo muito automático. Lá nós tínhamos um cartão de estudante com chip, que te permitia fazer tudo. Você podia carregar o cartão com dinheiro e assim, pegar bicicleta, pagar xerox, cantina, entre outras coisas. A educação é ótima e a Universidade é enorme! Tem todos os cursos de idiomas que você possa imaginar, mais de 20 línguas; vários seminários internacionais; quase 4 mil estudantes internacionais e 43 mil ao todo. Então, parece uma Torre de Babel, pois o tempo todo você vê gente falando idiomas diferentes. Há muita diferença cultural também." 

 

Ruhr Universität.

PARTIU VIAJAR? 


"No estado em que estava (Renânia do Norte-Vestfália), tínhamos que pagar um imposto de 300 euros, a Universidade era pública, então essa é a única taxa que precisava pagar, por semestre. No final das contas, acabava ficando barato, porque ela dava direito a um cartão de viagens para o estado inteiro! Eu podia ir para vários lugares de graça, além de também poder pegar o metrô dessas cidades. Podia viajar por todo o estado de graça sem me preocupar. Além disso, os trens e ônibus chegavam no ponto exatamente na hora marcada." 


 

BOCHUM E SUAS CARACTERÍSTICAS
 

"A cidade em que eu morei é muito feia do ponto de vista estético, mas é muito organizada. Tinha tudo que eu precisava! Ela foi destruída na Segunda Guerra e, devido à necessidade de sua rápida reconstrução, acabou ficando bem feia."  

 

Exemplo de umas das ruas de Bochum. Foto: https://goo.gl/EGiZM3


MERCADO INTELIGENTE
 

"Essa é uma parte bem bacana que eu percebi morando na Alemanha. Por lá, você não ganha sacola plástica igual a outros lugares do mundo. A Alemanha tem uma preocupação muito grande com a ecologia, então a reciclagem não é uma opção, mas sim uma obrigação... por isso, as sacolas usadas são aquelas ecobags. Todos andam com aquilo para todo lugar. É muito engraçado, porque ao comprar uma Coca, água, ou qualquer coisa nos recipientes de latinha, garrafa pet, ou garrafa de vidro -que não seja vinho-, é preciso pagar um custo extra. O vidro é 15 "centavos" mais caro que o valor padrão, já a garrafa pet e a latinha são 25 "centavos". Assim, investir nisso é bem caro.


Lá as pessoas guardam as sacolas plásticas, os vidros e latinhas, para depois irem ao mercado e depositarem esses materiais em uma máquina, que os computa e, em seguida, retribui a pessoa que os depositou com um cupom com créditos para serem gastos no próprio estabelecimento. Eu mesma cansava de guardar as coisas e fazer compras com esse cupom. Pode parecer pouco, mas lá valia muito. Para se ter uma ideia, uma cerveja no mercado era 40 "centavos", então com 25 "centavos" das coisas que eu podia depositar eu já tinha metade da minha cerveja."
 


As Ecobags são uma opção sustentável utilizadas pelos supermercados alemães | Foto: https://goo.gl/EvlqdG

 

DINHEIRO
 

"Lá, as pessoas não usam cartão de débito e credito. Tudo se faz com dinheiro na mão. Isso foi um choque para mim, porque no Brasil, por questões de segurança, você não anda com quantias altas. Eu fazia tudo com cartão e tive que criar outro costume, o de andar com dinheiro em todo lugar. 

 


PODE ABRAÇAR E BEIJAR QUEM NÃO É SEU AMIGO?


"Os alemães são, ao mesmo tempo, individualistas e práticos. Eles vão para festas na casa dos amigos e levam a sua própria bebida, sua própria comida. É muito esquisito, porque cada um bebe uma garrafa de 500 ml sozinho e acha normal. Já no Brasil, com 600 ml, somente 100 ml a mais, você divide a garrafa para uma mesa inteira. Isso é um sinal de quão individualistas de certa forma eles são. Mas no geral, os alemães são muito educados, apesar de serem realmente frios como as pessoas dizem por aqui. Eles tem uma coisa chamada de espaço pessoal e você não pode desrespeitar isso. Por exemplo, quando a pessoa é uma amiga íntima, você vai abraçá-la, mas quando não é, você a cumprimenta com tchau, nunca abraça ou beija. Não tem essa coisa. 

 


A QUESTÃO DO MACHISMO


"O machismo por lá não é tão forte como o que existe no Brasil. Era muito comum ver na rua um alemão carregando crianças e isso não era visto como no nosso país em que dizem "ai que bonitinho, um pai com a criança". A igualdade de gênero na Alemanha é levada a sério. O alemão espera que você divida a conta, ajuda nos serviços de casa e a criar os filhos. Não é uma divisão de tarefas como em outros lugares: as mulheres cuidam da casa e os homens trabalham. Todo mundo faz tudo. Além disso, ninguém mexe com você na rua!"
 


SEGURANÇA O TEMPO TODO
 

"A sensação de segurança é muito boa. Você pode andar com celular na mão o tempo todo. Há poucas pessoas moradoras de rua e não se tem o hábito de dar esmolas. Isso porque o governo já dá uma assistência muito grande em todos os aspectos. É um governo social democrata, então todo mundo tem bastante direito. Não se tem essa consciência de que o governo é paternalista e que precisamos a todo custo prezar pelo liberalismo. Não. Lá havia o liberalismo na economia, mas existiam sim as assistências sociais." 

 

A estudante Isabella Gonçalves viveu experiências em terras germânicas que lhe rendeu diversas percepções!


E aí? Gostou da Alemanha? Tirou suas dúvidas? Ainda tem mais? Quer saber mais sobre outros lugares? É só falar com a gente aqui nos comentários deste #blog! Valeu, Isabella ❤

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